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Santa Gertrudes inova com projeto tecnológico

 

As ruas estreitas da pequena cidade foram tomadas por carretas que transportam pisos e argila. Ao mesmo tempo, a criminalidade cresce e preocupa uma população que se conhecia e estava acostumada a conversar na praça.

Como a situação anda fugindo do controle do poder público, a cidade se ofereceu para um experimento ousado. Terá um avançado sistema de informações, que promete integrar a gestão do trânsito às operações das equipes de segurança pública.

Começa nesta semana a instalação de um sistema de câmeras que vai orientar, em tempo real, as ações da polícia. Uma central de monitoramento vai identificar imediatamente, por exemplo, a presença de um veículo roubado nas ruas.

O sistema também vai agilizar a abordagem a motoristas de caminhões pesados que circulam sem nenhum controle pelo Centro.

São 5 mil carretas circulando na cidade a cada dia. Para se ter uma ideia, basta olhar o galpão do posto de molas, ao lado do trevo de acesso à cidade: dezenas de caminhões esperam a hora do carregamento nas indústrias.

A transformação de Santa Gertrudes em sede do projeto-piloto teve o aval do prefeito João Vitte. Ostentando aquele “r” aberto, típico dos moradores da região de Piracicaba, ficou conhecido porque era advogado, contador e corretor.

Começou na carreira política profissional como vereador, aos 20 anos, pelo velho MDB. Na época, o rapaz começou a ser assediado pelas legendas. Passou pelo PDS, fundou o PSDB. Brigou com os tucanos e se transferiu para o PFL, que agora leva o nome de DEM. Ele já cumpre o terceiro mandato no Executivo. “No Interior, ninguém dá bola para o partido. O que conta voto é o caráter do candidato”, alega.

Graças ao velho cacique Santa Gertrudes conseguiu um sistema que representa o que há de mais avançado em monitoramento informatizado, ao custo de R$ 120 mil.

“Os técnicos queriam lançar o projeto. Precisam de um lugar para provar que a ideia funcionava. Eu fiz as contas. Pela vantagem que oferece, o sistema está saindo barato demais”, afirma.

A tecnologia foi desenvolvida em Elias Fausto pelos engenheiros da Rizzo, empresa fabricante de equipamentos urbanos que, desde 1994, atuou em mais de 40 cidades. Fornece painéis informativos, sinalização de trânsito, projetos urbanísticos, mobiliário, tecnologia de informação e equipamento de manutenção.

Em Santa Gertrudes, a empresa vai operar câmeras automáticas de leitura de placas de automóveis e detectoras de movimento, além de terminais portáteis adaptáveis à central e aos veículos.

O contrato representa uma alternativa para combater a violência. Números preocupantes andam manchando o nome da cidade na base de dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e na rotina dos moradores. E o crime preocupa bem mais que o barulho dos caminhões. Em 2003, Santa Gertrudes registrou um único assassinato e 13 furtos de veículos. Em 2008, no entanto, ocorreram três homicídios e 51 furtos. A estatística anual de assaltos beira hoje as três centenas.

Ainda são números modestos se levados em consideração os boletins de ocorrência na maior parte das cidades da região de Campinas. Mas eles preocupam pelo fato de o município ter modestos 22 mil habitantes.

“Olhe, é o mundo atual. A violência está em toda parte, na metrópole e na vila”, afirma o prefeito. Ele acredita que o monitoramento informatizado vai servir, pelo menos, para coibir o fluxo de bandidos em cidades conurbadas.

SAIBA MAIS

A empresa fornecedora do equipamento avançado de monitoramento é a Rizzo Comércio e Serviço de Mobiliário Urbano Ltda., sediada em Elias Fausto. As pessoas interessadas em obter informações detalhadas sobre o sistema podem acessar o site www.rizzonet.com.br
Contatos com o prefeito João Vitte (DEM) podem ser feitos pelo (19) 3545-8000. O site da Prefeitura, o www.santagertrudes.sp.gov.br, está sendo reformulado.

Fonte: Jornal Correio Popular - 30/08/2009